Rubens sentava-se todos os dias, pontualmente às 6:00, em uma cafeteria simples e cheia de flores, localizada em uma charmosa esquina entre a Malabia e a Padilla, em Buenos Aires. Ele cumprimentava Javier, o barista e dono da cafeteria, e esperava.
Do outro lado da rua, Emanuelle chegava religiosamente às 6:10 para iniciar a produção de sua loja de facturas, que abria às 8:00. Antes de preparar pães, medialunas dulces e de grasa, vigilantes e tantas outras gostosuras, ela parava por alguns minutos em frente à loja, com uma xícara de café recém-passado, e olhava em direção à cafeteria simples na esquina entre a Malabia e a Padilla.
Rubens gostava do cheiro da manhã misturado com o aroma do café moído e preparado na hora por Javier. Ele gostava ainda mais de tomar o primeiro gole, entrelaçando o olhar com o de Emanuelle.
Aquela dança de olhares sobre as xícaras era doce, maliciosa e se alimentava do sabor inigualável e frutado do café.
Os encontros diários duravam apenas 10 minutos, o tempo de uma xícara. Antes das 6:30, ambos precisavam seguir para suas vidas, seus trabalhos e obrigações, já ansiosos pelo cafezinho da manhã seguinte

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